Bom, na verdade o Brasil foi um dos últimos países a aderir a imprensa, isso por causa da lei da Corte Portuguesa, que segundo a legislação, o país era submisso ao governo português, a ser um mero produtor de tudo que beneficiasse o mesmo (ou seja: alienação total!). Mas isso não era o pior, mesmo sem a autorização da Suprema Corte, houve várias tentativas para a implantação de uma imprensa brasileira, a primeira foi durante o governo de Maurício de Nassau, mas falhou em virtude das constantes rebeliões e guerras internas que ocasionaram a expulsão dos holandeses em 1645. A segunda tentativa foi em 1746, pelo tipógrafo português, Antonio Isidoro da Fonseca, que instalou uma tipografia no Rio de Janeiro. Porém, após produzir alguns impressos, a Corte Portuguesa ordenou a destruição da tipografia.
No dia 10 de setembro de 1808, foi impresso o primeiro semanário, A Gazeta do Rio de Janeiro que publicava, exclusivamente, documentários oficiais e informações da família real.
Em 1º de junho de 1821, foi lançado o Diário do Rio de Janeiro, o primeiro jornal informativo a circular por todo o País, com notícias de crimes, demandas, movimentos de navios, venda, leilões e fuga de escravos.
Durante o período da Monarquia, o Nordeste brasileiro viveu sob intensa movimentação popular contrária à administração da Coroa, e a imprensa se sobressaiu através dos noticiários divulgados pelos periódicos, que serviram de alicerce para grandes acontecimentos da História do Brasil. De Pernambuco, a capitania na época era a mais desenvolvida, saíram tipografias para a província do Ceará, da Paraíba, de Alagoas, do Rio Grande do Norte e de Sergipe.
Por ocasião da Revolução Pernambucana de 1817, foi lançado o primeiro impresso intitulado O Preciso, que, de autoria duvidosa – José Luis de Mendonça ou Antonio Carlos Ribeiro de Andrada – divulgava os últimos acontecimentos referentes à conspiração para a Revolução. A apreensão deste panfleto sufocou a Revolução e resultou na destruição da tipografia.
Em 1820, o então governador da província, Luis do Rego Barreto autorizou a instalação da Officina do Trem de Pernambuco, que publicou o primeiro jornal da Província, Aurora Pernambucana, editado de março a setembro de 1821. O periódico tinha como objetivo conter o ânimo dos pernambucanos com seus ideais de independência contra as decisões da Coroa Portuguesa. Diante dos constantes conflitos e rebeliões, fechou-se a Officina do Trem de Pernambuco que, no entanto, foi reaberta, no mesmo ano, por ordem do presidente da junta governativa, Gervásio Pires, com o nome Officina do Trem Nacional de Pernambuco. A Officina publicou inúmeros panfletos de proclamações, manifestos e os periódicos Relator Verdadeiros – espécie de órgão oficial da junta governista, que publicava notícias do governo – e o Segarrega, editado entre dezembro de 1821 e outubro de 1823, redigido pelo português Filipe Mena Calado da Fonseca que, no início, noticiava ações sobre os ideais republicanos, defendendo a liberdade política, passando depois a se opor à corrente republicana.
Em abril de 1823, no Recife, o médico baiano Cipriano José Barata de Almeida, uma das figuras mais corajosas e combativas do jornalismo brasileiro, estreou como jornalista na Gazeta Pernambucana e publicou a Sentinela da Liberdade. Foi preso em novembro do mesmo ano, mas continuou a publicar o seu jornal com o nome Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, Atacada e Presa na Fortaleza do Brum por Ordem da Força Armada Reunida. Em 1836, publicou sua última Sentinela. Em seguida, abandonou a política e o jornalismo.
Em 1823, o pernambucano Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, Frei Caneca, editou o Typhis Pernambucano, defendendo a liberdade de imprensa, condenando a escravidão, alertando contra o perigo da dissolução da Constituinte, e das forças armadas do domínio português. Em 13 de janeiro de 1825, após a derrota da Confederação do Equador Frei Caneca foi fuzilado em pleno centro do Recife.
Durante a Confederação do Equador, a província do Ceará foi a que mais contribuiu na mobilização política pela independência do Brasil. Recebeu o primeiro prelo em 1824, enviado pelo então governador de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, criando a Typographia Nacional do Ceará, que imprimiu o primeiro jornal cearense Diário do Governo do Ceará, editado pelo padre Inácio Gonçalo de Albuquerque Mororó.
Em 1825, foi fundado no Recife o Diario de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação da América Latina e em 1919, o Jornal do Commercio.
A província da Paraíba, vinculada a Pernambuco até 1799, teve participação ativa em todos os movimentos revolucionários, inclusive na Confederação do Equador, mas somente em 1826, contou com a sua primeira tipografia enviada do Recife, que recebeu o nome de Typographia Nacional da Parahiba, editando seu primeiro periódico, A Gazeta da Parahiba do Norte.
Como se já não bastasse o atraso no desenvolvimento provocado intencionalmente pela Corte Portuguesa ao Brasil, a província de Rio Grande do Norte, que esteve vinculada à administração de Pernambuco por muito tempo, teve que passar mais 10 anos sem imprensa, em represália aos manifestos contrários à Confederação do Equador. Somente em 1832, foi autorizada a instalação da Typografia Natalense, que editou o Natalense, o primeiro periódico de grande influência política.
A província de Sergipe foi a mais prejudicada pelo atraso sociocultural e econômico do Brasil. Teve seu primeiro jornal impresso em 1832, O Recompilador Sergipano, editado por Monsenhor Antonio Fernandes da Silveira e, em 1834, o Noticiador Sergipense, que publicava atos oficiais. A partir de 1851, com o apoio dos sergipanos Tobias Barreto e Silvio Romero, Sergipe começa a produzir inúmeros jornais e revistas literárias, passando a ocupar lugar de destaque na sociedade de literatos brasileira.
Apesar da repressão e da intensa confluência política, suspensões, proibições, prisões e mortes durante o Primeiro Reinado, a imprensa informal do tipo panfletagem, semanários, jornais, se desenvolvera baseada numa linguagem violenta, atitudes ousadas e desafiadoras contra a opressão e as distorções políticas da época, e se expandiram por todo o País, como uma ferramenta de conscientização de massa em favor das mobilizações sociais, das lutas políticas e questões sociais da época como a Independência, a Confederação do Equador, a Abolição da Escravatura, o desgaste da Monarquia, a Proclamação da República, e outros movimentos históricos brasileiros.
Em decorrência do surgimento das grandes cadeias jornalísticas, diários associados e da contribuição de jornalistas célebres como o paraibano natural de Umbuzeiro, Francisco de Assis Chateaubriand, do pernambucano de Caruaru, Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Ataíde, e muitos outros, a imprensa brasileira no período pós-República, teve um grande avanço cultural. Industrializou-se, o noticiário diversificou-se, deixou de ser exclusivamente político e passou a ser um jornalismo profissional.
Fonte: http: //www.fundaj.gov.br

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